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Golpes e fraudes em seguros: como se proteger

Escrito por Ana Paula Martins

Golpes e fraudes em seguros: como se proteger

Imagem meramente ilustrativa, gerada por Inteligência Artificial.

Atualizado em

Para se proteger de golpes em seguros, você deve verificar se o corretor e a seguradora possuem registro ativo no site da SUSEP e nunca realizar pagamentos via Pix ou transferência para contas de pessoas físicas. Apenas em 2024, o setor registrou R$ 1,1 bilhão em fraudes comprovadas, segundo a CNseg, o que exige atenção aos detalhes antes de fechar qualquer contrato.

Para se proteger de golpes em seguros, você deve verificar se o corretor e a seguradora possuem registro ativo no site da SUSEP e nunca realizar pagamentos via Pix ou transferência para contas de pessoas físicas. Apenas em 2024, o setor registrou R$ 1,1 bilhão em fraudes comprovadas, segundo a CNseg, o que exige atenção aos detalhes antes de fechar qualquer contrato.

A contratação de um seguro serve para trazer tranquilidade patrimonial e familiar. No entanto, o avanço das transações digitais e a sofisticação da engenharia social trouxeram também um aumento expressivo nas tentativas de golpes contra os consumidores.

Abaixo, apresentamos os dados oficiais sobre fraudes no Brasil, os golpes mais recorrentes e um checklist prático para você garantir a legitimidade da sua apólice.

Os números da fraude em seguros no Brasil

As fraudes afetam diretamente a sustentabilidade do mercado e encarecem o preço final dos serviços para todos os segurados. Segundo o Sistema de Quantificação da Fraude (SQF), mantido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o volume financeiro envolvido em irregularidades é expressivo.

No acumulado de 2024, o mercado registrou:

  • R$ 41 bilhões em sinistros ocorridos (excluindo Saúde Suplementar).
  • R$ 5,4 bilhões em sinistros sob suspeita de fraude (13,3% do total).
  • R$ 1,1 bilhão em fraudes efetivamente comprovadas (2,7% de todos os sinistros do ano).

Esse índice de fraudes comprovadas mostrou alta em relação a 2023, quando representava 2,2% do total de sinistros. No 1º semestre de 2025, os dados consolidados da CNseg indicam R$ 22 bilhões em sinistros ocorridos, com R$ 3,36 bilhões sob suspeita e R$ 734 milhões em fraudes comprovadas.

Entre os ramos mais impactados em volume financeiro figuram Automóveis (34,2% dos prêmios), Pessoas e Vida Coletivo (25,4%) e Patrimonial (17,3%). No setor de Transportes, a CNseg destacou que, no 1º semestre de 2024, 34,4% das ocorrências de sinistro apresentaram indícios de irregularidade.

O segmento da saúde também enfrenta desafios expressivos. A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) registrou 2.402 fraudes em 2023 — um salto de 66% em comparação a 2022, concentradas em falsificação de recibos para reembolso e uso indevido de carteirinhas.

Os 3 golpes mais comuns praticados no mercado

Entender a mecânica adotada pelos golpistas é o primeiro passo para evitar prejuízos financeiros.

1. Golpe do falso corretor

Criminosos criam perfis simulados em redes sociais ou anunciam em sites clonados utilizando nomes e logotipos de grandes seguradoras. Eles oferecem apólices com valores até 50% abaixo da média de mercado.

Após a negociação, solicitam o pagamento de uma "taxa de adesão" ou da primeira parcela via Pix para a conta de uma pessoa física ou empresa fantasma. O cliente paga, mas a apólice nunca é emitida.

2. Boleto falso de renovação

Aproximando-se do vencimento do contrato, o cliente recebe uma mensagem de texto, e-mail ou mensagem via WhatsApp informando sobre a renovação automática da apólice. O contato traz um boleto ou chave Pix para quitação.

Como os criminosos utilizam dados vazados (como modelo do veículo e data final da apólice), a mensagem parece legítima. Se o pagamento for feito, o dinheiro vai para os golpistas e o seguro verdadeiro caduca por falta de pagamento.

3. Venda de proteção veicular clandestina como seguro

Entidades atuam comercialmente se intitulando "seguradoras de baixo custo", mas operam como associações de proteção veicular sem qualquer registro na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados).

Segundo estimativas da SUSEP e do Governo Federal, existem cerca de 3.000 associações clandestinas operando no país. Em operações da Polícia Federal, como a Operação Seguro Fake, foi identificado que uma única entidade ilegal movimentou mais de R$ 650 milhões ao longo de 5 anos, lesando cerca de 30 mil clientes que ficaram desamparados no momento do sinistro.

Diferenças entre Seguro Tradicional e Proteção Veicular Clandestina

Para não ser enganado na contratação, é fundamental entender que seguros regulados e proteção veicular sem registro possuem estruturas jurídicas totalmente diferentes.

CritérioSeguro TradicionalProteção Veicular Clandestina
RegulamentaçãoFiscalizado rigorosamente pela SUSEPSem fiscalização ou autorização legal
Garantia financeiraReservas técnicas obrigatórias por leiDepende do rateio de prejuízos entre membros
Garantia de indenizaçãoPrevista em apólice e protegida por leiRisco de não pagamento ou liquidação da entidade
CobrançaBoleto ou cartão direto para a seguradoraMensalidade via Pix ou boleto em nome de associação
Regras contratuaisReguladas pelo Novo Marco Legal dos SegurosEstatutos internos alterados sem aprovação de órgão público

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Como verificar se uma proposta de seguro é legítima

Antes de assinar a proposta ou realizar qualquer transferência bancária, siga este roteiro de checagem em quatro passos:

Step 1: Consulte o corretor na SUSEP

Todo corretor de seguros atua como intermediário legal e precisa possuir um número de registro ativo na SUSEP. Acesse o portal da autarquia e pesquise pelo nome completo, CPF ou CNPJ do profissional ou da corretora.

Step 2: Confirme a seguradora parceira

Veja qual é a seguradora responsável por garantir a apólice. Consulte se a empresa possui autorização de funcionamento listada no guia do mercado. Você pode conferir quais são as principais do setor em nosso artigo sobre as principais seguradoras do Brasil.

Step 3: Verifique os dados do recebedor do pagamento

Seguradoras sérias não solicitam depósitos em contas de pessoas físicas (CPF). O boleto ou chave Pix de cobrança deve ter como beneficiário final o CNPJ da própria seguradora ou da corretora franqueada e autorizada.

Step 4: Exija a proposta formal e o número da apólice

Após o aceite, a seguradora tem prazos legais para emitir a apólice com o respectivo código de validação, que pode ser conferido diretamente nos canais oficiais de atendimento da companhia.

O que fazer caso você tenha sido vítima de um golpe

Se você identificou que efetuou o pagamento de uma apólice falsa ou caiu no golpe do boleto adulterado:

  1. Registre um Boletim de Ocorrência (BO): Detalhe os dados bancários do recebedor, números de telefone, chaves Pix e conversas salvas.
  2. Acione o seu banco imediatamente: Solicite o bloqueio cautelar do valor via Mecanismo Especial de Devolução (MED), caso o pagamento tenha sido feito por Pix.
  3. Avise o seu corretor oficial: Caso o golpe tenha sido um boleto falso de renovação, seu corretor precisará emitir a guia correta para evitar a perda da cobertura do seu bem.
  4. Faça uma denúncia na SUSEP: Caso a abordagem tenha sido feita por uma associação clandestina vendendo proteção veicular como se fosse seguro regulado, registre uma denúncia nos canais formais da autarquia.

Perguntas frequentes

Como saber se um corretor de seguros é legalizado?

Você pode consultar o CPF ou CNPJ do profissional diretamente no site oficial da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) na aba de consulta de corretores cadastrados.

Proteção veicular é a mesma coisa que seguro de automóvel?

Não. A proteção veicular é gerida por associações ou cooperativas sem regulação da SUSEP e sem garantia de reservas técnicas, enquanto o seguro tradicional é emitido por seguradoras autorizadas e fiscalizadas pelo governo.

O que fazer se eu pagar um boleto falso de renovação de seguro?

Registre imediatamente um Boletim de Ocorrência, entre em contato com o seu banco para tentar o estorno via mecanismo especial de devolução e avise o seu corretor oficial sobre a tentativa de fraude.

Posso pagar a parcela do seguro na conta do corretor?

Não. O pagamento do prêmio de seguro deve ser feito diretamente para a seguradora emissora da apólice, via boleto, cartão de crédito ou Pix oficial em nome da seguradora.