O que é insurtech e como está mudando o mercado de seguros
Escrito por Ana Paula Martins

Imagem meramente ilustrativa, gerada por Inteligência Artificial.
Insurtech é uma empresa que aplica tecnologias como inteligência artificial e análise de dados para modernizar a criação, a precificação e a distribuição de seguros. No Brasil, essas startups estão tornando a contratação mais ágil, permitindo produtos personalizados por comportamento e ampliando o acesso ao mercado.
O que é insurtech e como está mudando o mercado de seguros
O mercado de seguros no Brasil passa por um período de modernização impulsionado pela tecnologia. Processos que antes dependiam de formulários físicos e longas análises manuais dão lugar a contratações realizadas em poucos minutos por aplicativos. No centro dessa transformação estão as insurtechs.
Saber o que é insurtech ajuda a entender como novas tecnologias estão alterando a forma como os produtos são precificados, distribuídos e geridos, afetando diretamente consumidores, quais as principais seguradoras do Brasil e corretores.
O panorama do mercado de seguros no Brasil
Para entender a relevância das insurtechs, é importante observar os números do setor segurador no país. O mercado movimenta centenas de bilhões de reais todos os anos, mas ainda possui um grande espaço para expansão.
- Arrecadação geral: Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o setor movimentou R$ 747,3 bilhões em 2024 (somando Seguros Gerais, Previdência Aberta, Capitalização e Saúde Suplementar), representando alta de 11,6% em relação ao ano anterior. A projeção da CNseg para 2025 aponta uma participação do setor de 6,4% no PIB nacional.
- Supervisão da SUSEP: De acordo com dados consolidados da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), o mercado sob sua alçada encerrou 2025 com R$ 415,09 bilhões em receitas e retornou R$ 265,33 bilhões à sociedade em indenizações, resgates e benefícios.
- Seguros de Pessoas: A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) registrou R$ 78,8 bilhões em prêmios emitidos no segmento de pessoas em 2025, um avanço de 8,3% frente a 2024.
- Saúde Suplementar: Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que o Brasil alcançou 53.077.896 beneficiários em planos médicos em maio de 2026. Em 2025, as receitas de contraprestações do setor somaram R$ 391,6 bilhões.
Apesar da escala desses números, existe um descompasso no acesso. A Fenaprevi aponta que menos de 20% da população adulta brasileira conta com seguro de vida. Além disso, estudos da CNseg indicam um potencial de consumo não atendido de até R$ 300 bilhões em periferias e favelas. É justamente nessa lacuna de eficiência e distribuição que as insurtechs encontram espaço para atuar.
O que é uma insurtech e como ela opera?
O termo insurtech vem da união das palavras insurance (seguro) e technology (tecnologia). Trata-se de uma empresa que desenvolve soluções tecnológicas específicas para a cadeia de valor do seguro.
Essas empresas podem atuar de duas formas principais:
- Como seguradoras digitais: Assumindo o risco atuarial diretamente, após receberem autorização da SUSEP para operar.
- Como provedoras de tecnologia ou estipulantes: Desenvolvendo plataformas que ajudam corretoras e seguradoras tradicionais a digitalizarem a cotação, a emissão de apólices e a regulação de sinistros.
Ao substituir etapas manuais por inteligência artificial, análise de dados avançada e automação, as insurtechs conseguem reduzir os custos operacionais.
As mudanças na distribuição e na precificação de seguros
A aplicação de tecnologia no mercado de seguros transformou duas pontas essenciais do negócio: a forma de precificar o risco e os canais para vender a apólice.
Precificação dinâmica baseada em comportamento
Nas seguradoras tradicionais, o valor do seguro costuma ser calculado com base em médias estatísticas gerais — como idade, sexo e local de moradia.
As insurtechs no Brasil trouxeram a precificação personalizada por comportamento. Com a Internet das Coisas (IoT) e a telemetria, é possível medir como um motorista conduz seu veículo ou monitorar hábitos de saúde por meio de dispositivos vestíveis.
- Pay-per-use (Pague pelo uso): O cliente paga uma taxa básica mensal e um valor variável calculado apenas pelos quilômetros rodados.
- Pay-how-you-drive (Pague como dirige): Algoritmos analisam acelerações, frenagens e horários em que o veículo circula para conceder descontos a motoristas com menor perfil de risco.
Distribuição embarcada (Embedded Insurance)
A distribuição deixou de depender exclusivamente de formulários extensos. Por meio de integrações via API (interfaces de programação), o seguro passa a ser oferecido no momento da compra de outros produtos ou serviços.
Exemplos disso incluem a oferta de seguro de viagem ao comprar uma passagem aérea no e-commerce, ou a inclusão de proteção contra roubo no momento em que um smartphone é adquirido na loja virtual.
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Comparativo: Seguradora Tradicional vs. Insurtech
A tabela abaixo resume as diferenças de abordagem entre o modelo tradicional e o modelo focado em tecnologia:
| Característica | Seguradora Tradicional | Insurtech |
|---|---|---|
| Análise de risco | Média estatística de perfil do público | Dados comportamentais em tempo real |
| Emissão da apólice | Pode levar dias dependendo da vistoria | Geralmente instantânea via aplicativo |
| Formatos de contratação | Contratos anuais padronizados | Modelos flexíveis, diários ou por uso |
| Aviso de sinistro | Documentação física e formulários | Envio de fotos e vídeos por plataforma digital |
| Canais de atendimento | Central telefônica, e-mail e agências | Chatbots com inteligência artificial e aplicativos |
O papel do corretor de seguros na era digital
Existia o receio de que a tecnologia eliminaria a necessidade do corretor. Na prática, o mercado tem demonstrado o oposto: a tecnologia serve como ferramenta para aumentar a capacidade de atendimento dos profissionais.
O registro de corretor de seguros na SUSEP continua sendo a habilitação oficial exigida para a intermediação. O que muda é que o corretor passa a utilizar painéis digitais para cotar em dezenas de companhias simultaneamente, deixando a parte operacional para os sistemas e focando na consultoria de riscos para a [carteira de clientes].
Além disso, a evolução da regulação acompanha essa transição. A aprovação do Novo Marco Legal dos Contratos de Seguro reforça a clareza e a transparência nas apólices, alinhando as exigências jurídicas ao ambiente digital.
Desafios e o futuro das insurtechs no Brasil
Apesar do crescimento, as insurtechs enfrentam desafios estruturais no mercado brasileiro. Os principais pontos de atenção incluem:
- Custo de aquisição de clientes (CAC): Ganhar escala em um país onde a cultura de proteção ainda é baixa exige investimento contínuo em educação financeira e marketing.
- Segurança de dados e LGPD: O manuseio de dados comportamentais e de saúde exige estruturas robustas de cibersegurança para cumprir a Lei Geral de Proteção de Dados.
- Sustentabilidade financeira: A operação precisa balancear preços competitivos com o volume de sinistros pagos, garantindo solvência no longo prazo.
A tendência é o fortalecimento do modelo híbrido: seguradoras tradicionais adquirem ou fazem parceria com insurtechs para modernizar seus sistemas legados, enquanto as startups aproveitam a escala e a capacidade patrimonial das grandes companhias para expandir a distribuição.
Perguntas frequentes
O que significa a palavra insurtech?
O termo surge do inglês pela junção de 'insurance' (seguro) e 'technology' (tecnologia). Ele se refere às empresas e startups que utilizam inovações tecnológicas para otimizar serviços no setor de seguros.
As insurtechs vão substituir o corretor de seguros?
Não. A tecnologia automatiza tarefas burocráticas e a análise de dados, permitindo que o corretor de seguros atue de forma mais estratégica e consultiva na recomendação do produto ideal.
As insurtechs são fiscalizadas pela SUSEP?
Sim. Toda empresa que atua na emissão de apólices no Brasil precisa de autorização da SUSEP, seja no modelo tradicional ou por meio do Sandbox Regulatório do órgão.
Qual a diferença entre uma seguradora tradicional e uma insurtech?
As seguradoras tradicionais costumam ter processos estruturados em sistemas legados e tabelas atuariais genéricas. Já as insurtechs operam com arquitetura digital flexível, precificação baseada em dados em tempo real e produtos sob demanda.
É seguro contratar seguros por meio de uma insurtech?
Sim, desde que a empresa operadora ou a seguradora parceira esteja devidamente registrada e autorizada pelos órgãos reguladores, como a SUSEP ou a ANS.
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