Open Insurance: o que é e como vai mudar o mercado de seguros
Escrito por Ana Paula Martins

Imagem meramente ilustrativa, gerada por Inteligência Artificial.
O Open Insurance é o sistema que permite ao consumidor autorizar o compartilhamento gratuito de seus dados de seguros, previdência e capitalização entre instituições credenciadas pela SUSEP. Na prática, a novidade estimula a concorrência e permite a oferta de apólices mais personalizadas, exigindo que corretores e seguradoras adotem novas ferramentas digitais de análise de perfil.
O tamanho do mercado de seguros no Brasil
Para compreender a dimensão e o impacto do Open Insurance no Brasil, é fundamental olhar para os números do setor. Segundo dados da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), publicados no relatório de conjuntura de março de 2026, o faturamento total do setor atingiu R$ 764,5 bilhões em 2025 — somando prêmios de seguros, previdência aberta, capitalização e saúde suplementar, o que representa um avanço de 1,8% em relação a 2024.
No mesmo período, as seguradoras devolveram R$ 548,4 bilhões em indenizações, resgates e benefícios à sociedade, um crescimento de 8,8% frente ao ano anterior. Já no acumulado entre janeiro e maio de 2026, a arrecadação do mercado supervisionado alcançou R$ 172,89 bilhões (excluindo saúde suplementar), de acordo com o Boletim da SUSEP.
Com centenas de bilhões de reais em circulação, a digitalização e a portabilidade de dados tornaram-se passos indispensáveis para a modernização desse mercado. É exatamente nesse cenário que o Open Insurance se consolida.
O que é Open Insurance e como ele funciona
O Open Insurance (Sistema de Seguros Aberto) é a estrutura tecnológica padronizada que permite aos clientes de seguros, previdência complementar aberta e capitalização autorizarem o compartilhamento de suas informações entre diferentes empresas do setor.
Esse compartilhamento ocorre de forma gratuita, ágil e digital por meio de APIs (Application Programming Interfaces), que são conexões seguras entre diferentes sistemas de informação. O conceito central do ecossistema é que os dados pertencem ao consumidor, e não às seguradoras.
Com a autorização do cliente, uma instituição pode consultar o histórico de apólices, perfil de risco e sinistralidade registrados em outra empresa para estruturar propostas sob medida.
O marco regulatório do sistema no Brasil
A implementação do Open Insurance no país segue diretrizes regulatórias claras estabelecidas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP):
- Resolução CNSP nº 415/2021 e Circular SUSEP nº 635/2021: estabeleceram os princípios, objetivos e o funcionamento do compartilhamento de dados no mercado brasileiro.
- Resolução CNSP nº 429/2021: regulamentou a atuação das Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente (SPOCs) e das Sociedades Iniciadoras de Serviço de Seguro (SISS).
- Resolução Conjunta nº 5/2022 (BCB e CNSP): definiu a interoperabilidade entre o Open Finance (gerido pelo Banco Central) e o Open Insurance (gerido pela SUSEP), permitindo a integração de dados bancários e seguradores.
Esse conjunto de normas garante que as principais seguradoras do Brasil operem em um ambiente padronizado e auditável.
Como o mercado muda: antes e depois do Open Insurance
Para visualizar as transformações trazidas pelo novo sistema, a tabela abaixo compara o modelo tradicional ao ecossistema aberto:
| Aspecto | Modelo Tradicional | Com o Open Insurance |
|---|---|---|
| Propriedade dos dados | Retida pela seguradora que emitiu a apólice. | Do consumidor, que escolhe com quem compartilhar. |
| Processo de cotação | Preenchimento repetitivo de formulários e questionários de risco. | Importação automática de dados cadastrais e histórico prévio. |
| Precificação de apólices | Baseada em tabelas e estatísticas de grupos genéricos. | Personalizada com base no histórico real do segurado. |
| Portabilidade de dados | Lenta e burocrática para migrar de seguradora. | Ágil e digital via integração de APIs. |
| Visão da carteira | Informações dispersas em portais e aplicativos distintos. | Painel consolidado para o cliente e seu corretor. |
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Impactos práticos para o consumidor
Para quem contrata produtos de proteção financeira, o Open Insurance traz benefícios diretos em termos de custo, praticidade e transparência:
- Produtos personalizados: em vez de apólices rígidas, o cliente pode receber ofertas calculadas de acordo com seu histórico real de uso e sinistros.
- Maior concorrência: a facilidade na troca de dados permite que insurtechs e novas seguradoras concorram pela carteira de clientes com preços e coberturas mais competitivos.
- Redução de burocracia: cotações que exigiam envio manual de documentos e reavaliações cadastrais passam a ser concluídas com poucos cliques.
- Visão financeira integrada: a integração entre Open Finance e Open Insurance permite acompanhar seguros, previdência e contas bancárias em uma única interface.
O que muda para o corretor de seguros
A chegada do Open Insurance não elimina o papel do intermediário. Pelo contrário, ela transforma a atuação do profissional, que deixa de despender tempo com burocracia cadastral e passa a atuar como um consultor estratégico de riscos.
Com acesso facilitado ao histórico unificado do cliente, o corretor ganha agilidade para identificar lacunas de cobertura e recomendar as soluções mais adequadas para cada momento de vida.
Para operar com eficiência nesse ambiente tecnológico, manter as licenças e o conhecimento regulatório atualizados é fundamental. Caso você queira entender os requisitos de atuação no setor, confira nosso guia sobre como tirar o registro de corretor de seguros na SUSEP. Além disso, vale acompanhar outras atualizações normativas relevantes no artigo sobre o Novo Marco Legal dos Contratos de Seguro no Brasil.
Segurança e proteção das informações
O compartilhamento de dados financeiros exige normas rigorosas de segurança da informação. O ecossistema do Open Insurance foi estruturado sobre preceitos sólidos de proteção ao consumidor:
- Consentimento prévio e revogável: a troca de dados só ocorre mediante autorização expressa do titular. O consentimento tem finalidade específica, prazo determinado e pode ser cancelado a qualquer momento.
- Conformidade com a LGPD: a operação segue todas as determinações da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), garantindo que os dados não sejam utilizados para fins não autorizados.
- Fiscalização da SUSEP: o órgão regulador estabelece e audita os padrões de criptografia, autenticação e arquitetura de segurança das APIs utilizadas pelas instituições credenciadas.
Essa estrutura garante que a evolução tecnológica do setor ocorra em um ambiente seguro, transparente e focado na proteção do consumidor.
Perguntas frequentes
O compartilhamento de dados no Open Insurance é obrigatório?
Não. O compartilhamento de informações depende sempre do consentimento livre, explícito e informado do cliente, que pode revogar a autorização a qualquer momento por meio dos canais digitais das instituições.
O Open Insurance e o Open Finance são a mesma coisa?
Não, mas eles se conectam. O Open Finance é regulado pelo Banco Central e envolve dados bancários, enquanto o Open Insurance é regulado pela SUSEP para o mercado segurador. A Resolução Conjunta nº 5/2022 estabelece a interoperabilidade entre os dois sistemas.
Qual é o papel da SUSEP no Open Insurance?
A SUSEP é o órgão regulador responsável por estabelecer as diretrizes, definir as normas de segurança das APIs e credenciar as instituições e sociedades processadoras que operam no ecossistema.
O Open Insurance elimina a necessidade do corretor de seguros?
Não. O corretor continua sendo o intermediário essencial para orientar a escolha do cliente. O Open Insurance fornece dados consolidados para que o profissional faça análises mais precisas e eficientes.
É seguro compartilhar dados no Open Insurance?
Sim. O sistema utiliza APIs criptografadas sob fiscalização direta da SUSEP e cumpre integralmente as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
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