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Seguro viagem: quando é obrigatório e como escolher

Escrito por Ana Paula Martins

Seguro viagem: quando é obrigatório e como escolher

Imagem meramente ilustrativa, gerada por Inteligência Artificial.

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O seguro viagem é obrigatório para entrar em mais de 30 países, incluindo os 29 membros do Espaço Schengen na Europa e Cuba. Mesmo nos destinos onde não há exigência legal, a contratação é fundamental para garantir atendimento médico e evitar despesas imprevistas no exterior.

Planejar uma viagem envolve escolher passagens, passeios e hospedagem. No entanto, um item essencial costuma ficar para a última hora ou até ser esquecido: o seguro viagem.

Apesar de ser encarado por alguns como um custo extra, a proteção é um requisito de entrada em diversos destinos internacionais e um alívio financeiro diante de urgências médicas.

Neste guia, você vai entender em quais destinos o seguro viagem é obrigatório, o que a legislação brasileira exige nas apólices e como escolher a proteção ideal para o seu perfil.


Quando o seguro viagem é obrigatório?

A obrigatoriedade do seguro viagem depende do país de destino e dos acordos internacionais vigentes. Em muitos locais, a apresentação da apólice no controle de imigração é tão indispensável quanto o passaporte ou o visto.

Abaixo estão os principais destinos que exigem o documento e os limites mínimos de cobertura requeridos:

DestinoExigência principalCobertura médica mínima
Espaço Schengen (29 países europeus)Obrigatório para todos os turistas€ 30.000 para despesas médicas e repatriamento
CubaObrigatório desde 2010US$ 10.000 a US$ 25.000 para gastos médicos
Outros destinos (ex.: Catar, Venezuela)Requisito de entrada variávelConforme regra do consulado ou órgãos locais

No caso do Espaço Schengen — que reúne 29 países da Europa, como Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha —, o seguro viagem obrigatório precisa cobrir ao menos € 30.000 para Despesas Médicas, Hospitalares e Odontológicas (DMHO), além de traslados sanitários e repatriamento de corpo.


Por que contratar seguro mesmo onde ele é opcional?

Em destinos muito procurados por brasileiros, como os Estados Unidos, o seguro viagem não é uma exigência legal de entrada. Contudo, dispensar a proteção nesses locais representa um risco financeiro imenso.

Nos Estados Unidos, o sistema de saúde é estritamente privado e um dos mais caros do mundo. Uma simples consulta em pronto-socorro ou a necessidade de exames simples podem gerar contas de milhares de dólares.

Apesar desse risco, a taxa de adesão do brasileiro ainda é baixa. Um levantamento com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e da SUSEP (divulgado pela Affinity em julho de 2026) revelou o perfil do viajante no 1º trimestre de 2026:

  • Viagens internacionais: cerca de 7,8 milhões de passageiros embarcaram para o exterior sem seguro viagem, enquanto apenas 468,5 mil contrataram uma apólice formal no período.
  • Viagens nacionais: 25 milhões de passageiros viajaram sem proteção pelo Brasil, contra 163,5 mil que contrataram seguro.
  • Estimativa geral: dados históricos compilados da SUSEP indicam que apenas cerca de 30% dos brasileiros que viajam ao exterior contratam o serviço regularmente.

Mesmo com a baixa adesão, o setor segue em expansão. Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o segmento de seguro viagem arrecadou R$ 317,1 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, um crescimento de 2,7% frente ao mesmo período de 2025.

Além disso, as seguradoras pagaram R$ 207,1 milhões em indenizações e assistências no mesmo período, mostrando o alto uso do serviço por quem contrata. A CNseg projeta que a modalidade feche o ano de 2026 com alta acumulada entre 8,7% e 12,2%.


O que a lei exige em um seguro viagem no Brasil?

No Brasil, os seguros de viagem são regulamentados pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) por meio da Resolução CNSP nº 315/2014 e atualizados pela Circular SUSEP nº 667/2022.

A norma estabelece regras claras para proteger o consumidor. Para qualquer viagem internacional vendida por seguradoras brasileiras, o plano deve incluir obrigatoriamente as seguintes garantias básicas:

  1. DMHO (Despesas Médicas, Hospitalares e Odontológicas): cobre atendimentos de emergência. A regra veda planos internacionais que cubram apenas acidentes pessoais — é obrigatório cobrir doenças agudas ou crises de enfermidades preexistentes.
  2. Traslado Médico: remoção ou transferência do viajante até a clínica ou hospital mais próximo.
  3. Regresso Sanitário: transporte de retorno do passageiro ao seu local de origem caso ele não possa voltar em voo comercial comum por exigência médica.
  4. Traslado de Corpo (Repatriação Funerária): prestação de serviço ou reembolso de custos para a liberação e transporte do corpo em caso de falecimento.

Para viagens nacionais, a SUSEP exige que a apólice ofereça ao menos uma cobertura básica.

Se você quer entender melhor como a legislação protege o consumidor em contratos de seguros em geral, vale a pena ler nosso artigo sobre o que muda com o Novo Marco Legal dos Contratos de Seguro no Brasil.


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Como escolher o seguro viagem ideal em 5 passos

Saber como escolher seguro viagem exige analisar detalhes que vão além da busca pelo menor preço. Veja o passo a passo para garantir a proteção certa:

1. Verifique as exigências do destino

Confirme se o país exige um valor mínimo de DMHO. Se o destino for o Espaço Schengen, por exemplo, o limite mínimo deve ser de € 30.000 (ou o equivalente em dólares).

2. Considere o perfil dos viajantes

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial. Certifique-se de que o plano oferece suporte adequado para essas condições e verifique os limites de idade e semanas de gestação cobertos pela apólice.

3. Avalie o estilo da viagem

Se a viagem inclui a prática de esportes de aventura (como esqui, mergulho ou surf), é preciso contratar uma cobertura adicional específica para esportes. Atendimentos decorrentes de riscos excluídos não são indenizados.

4. Observe as coberturas adicionais

Além das despesas médicas, bons planos oferecem proteções úteis para imprevistos logísticos, tais como:

  • Reembolso por atraso ou extravio de bagagem;
  • Cancelamento ou interrupção de viagem;
  • Orientação e auxílio em caso de perda de documentos;
  • Seguro de invalidez permanente ou morte acidental.

5. Escolha seguradoras consolidadas

Apenas seguradoras autorizadas pela SUSEP podem emitir bilhetes de seguro viagem no país. Para conhecer as maiores empresas do setor securitário, confira o nosso panorama completo sobre quais as principais seguradoras do Brasil.


Dicas práticas para a sua viagem

Antes de embarcar, adote estes cuidados para evitar surpresas em caso de necessidade:

  • Tenha a apólice impressa e digital: mantenha o bilhete de seguro no celular e uma cópia física na bagagem de mão.
  • Guarde os contatos da central: salve o número de emergência da seguradora na lista de contatos do celular e no WhatsApp.
  • Entenda a diferença entre rede credenciada e reembolso: na rede credenciada, a seguradora paga o hospital diretamente. No sistema de reembolso, você paga o atendimento do próprio bolso e solicita a devolução mediante apresentação de notas fiscais e relatórios médicos.
  • Acione a central antes de ir ao hospital: salvo em casos de extrema urgência em que não haja tempo hábil, sempre ligue para a central antes de buscar atendimento. A empresa indicará o local credenciado mais adequado para o seu caso.

Perguntas frequentes

O seguro do cartão de crédito substitui a apólice individual?

Depende. Alguns cartões oferecem o benefício, mas geralmente exigem a compra da passagem com o cartão e a emissão prévia do bilhete de seguro. Além disso, as coberturas podem ser menores do que as de um plano individual contratado com um corretor de seguros.

O seguro viagem cobre doenças preexistentes?

Sim. A regulamentação da SUSEP exige que a cobertura de Despesas Médicas, Hospitalares e Odontológicas (DMHO) inclua acionamentos decorrentes de crises ou complicações de doenças preexistentes ou crônicas durante a viagem.

O que acontece se eu for para a Europa sem o seguro obrigatório?

Caso você seja abordado na imigração de um país do Espaço Schengen e não apresente uma apólice válida com cobertura mínima de € 30.000, sua entrada no país pode ser recusada pela autoridade imigratória.

Como acionar o seguro viagem em caso de emergência no exterior?

Você deve entrar em contato imediato com a central de atendimento da seguradora pelos telefones, WhatsApp ou aplicativo informados no bilhete. A central indicará a rede credenciada ou orientará sobre os procedimentos de reembolso.